Arquitetura compacta com alma de quintal

Brisa da Pampulha

Cidade

Contagem

Status

Em construção

Área

250m2

Ano

2024

O projeto da Casa Brisa da Pampulha nasce como resposta sensível às tensões entre o desejo dos moradores por um lar com quintal e a rígida regulamentação urbanística do condomínio e da cidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Localizada em um lote de esquina com 30 metros de frente e 13 metros de fundo, a casa de 250 m² articula estratégia, compacidade e clareza formal para lidar com a topografia acentuada e as normas limitantes de ocupação.

A implantação da residência aproveita o ponto mais alto do terreno para acomodar os dois pavimentos principais, térreo e superior, em um retângulo compacto de 12 por 8 metros.

O térreo abriga os espaços sociais em um ambiente fluido e integrado, voltado para o quintal elevado. No pavimento superior, encontram-se três suítes e uma sala íntima, compondo a ala reservada da casa com discrição e conforto. A lógica setorial da planta organiza os usos com simplicidade e eficácia.

Apesar da sua escala comedida, a casa se impõe com presença arquitetônica. Um generoso aterro, estruturado por um muro de arrimo em concreto aparente, eleva o nível do quintal à altura do térreo, criando um platô artificial que se transforma em pátio íntimo e protegido. Esse embasamento de concreto não apenas resolve a topografia e permite a fruição de áreas externas, desejada pelos moradores, como atua como elemento de transição entre a rua e a vida doméstica, conferindo privacidade, solidez e monumentalidade à composição.

É sobre esse embasamento que se assenta a casa propriamente dita, com uma silhueta clara e direta, quase arquetípica: um volume simples com telhado de duas águas em telhas sanduíche. Esse gesto formal, reminiscente do desenho infantil da “casinha”, oferece ao projeto uma imagem de familiaridade e aconchego, ao mesmo tempo em que reforça sua racionalidade construtiva.

Para atender à exigência legal de não ultrapassar dois pavimentos sobrepostos, o projeto desloca o terceiro nível, um subsolo técnico, para fora da vertical dos pavimentos principais. Ali se acomodam o ateliê, as áreas de serviço, a casa de máquinas e o canil, em um pavimento parcialmente enterrado e visualmente discreto, que completa o programa sem infringir as normas.

A Casa Brisa da Pampulha é, assim, um exercício de síntese entre as contingências do lugar e os desejos dos moradores. Compacta e eficiente, sua linguagem direta e materialidade honesta resultam em uma arquitetura silenciosa, mas potente, capaz de estabelecer uma presença forte no lote urbano sem abrir mão da delicadeza necessária à vida cotidiana.