
Em Itacaré, no sul da Bahia, onde a Mata Atlântica encontra o oceano em uma paisagem de intensidade quase absoluta, a Casa Terramar se implanta com precisão.
Localizada no conjunto Vila São José, a residência ocupa um terreno de encosta estreito e desafiador, com 14 metros de desnível e profundidade variável entre 12 e 20 metros. Apenas cerca de 40%
do lote era efetivamente edificável, em função das restrições do condomínio e da própria geometria trapezoidal, marcada por duas frentes de 50 metros, uma superior, de acesso principal, e outra inferior, voltada à rua que conduz à praia.


Com 450 m² e quatro suítes, a casa foi concebida como residência de veraneio e também como espaço de locação, exigindo equilíbrio entre privacidade, convivência e operação eficiente. A estratégia foi organizar o programa em camadas que acompanham a topografia.
No nível mais alto, acessado pela rua superior, localiza-se o pavimento íntimo. Dali, a casa se apresenta como um volume térreo sob telhado de quatro águas, uma forma elementar e reconhecível que dialoga com a memória construtiva brasileira.
À medida que o terreno desce, a arquitetura se abre. O pavimento social se conecta integralmente à paisagem por meio de amplos planos de vidro e um deck que conduz à piscina posicionada na extremidade do lote, como um mirante voltado para o mar. Abaixo, sauna, apoio à praia e áreas técnicas resolvem a transição entre casa e litoral.



Da rua inferior, a leitura se transforma. O volume aparentemente contido revela-se como uma construção de três pavimentos que se impõe na encosta, evidenciando a complexidade da implantação.
A estrutura em madeira marca o ritmo da casa. Pilares bem definidos organizam a planta e constroem uma cadência contínua ao longo das fachadas. O rigor estrutural não é exibicionista; funciona como espinha dorsal do projeto. Essa clareza construtiva permitiu ajustes na compartimentação e no desenho de interiores até as etapas finais da obra, sem comprometer a integridade da estrutura ou da casca arquitetônica, garantindo flexibilidade para diferentes modos de uso.

A materialidade reforça a ideia de abrigo. Madeira, vidro e pedra estabelecem uma atmosfera sofisticada e ao mesmo tempo despretensiosa. Brises e painéis ripados filtram luz e ventilação, enquanto a ventilação cruzada e o sombreamento generoso fazem da relação com o clima um princípio fundamental do projeto.

Internamente, a casa privilegia o encontro. A sala integrada, com mesa ampla, redes e escada leve desenhando a diagonal do espaço, sintetiza o espírito do projeto. Um lugar de convivência, pausa e permanência.
Casa Terramar é uma arquitetura de transição. Entre rua e mar. Entre mata e horizonte. Entre abrigo e paisagem.
Em Itacaré, onde a natureza é sempre protagonista, a casa escolhe a medida exata e transforma o desnível em experiência.










